25 de jan de 2011

Mulheres da Igreja Perseguida

Nasci numa família de fundamentalistas hindus e minha infância foi cercada de rituais e tradições que todos seguíamos. Nossa família era muito unida e feliz, apesar das dificuldades do dia a dia. Mas um dia uma das minhas irmãs ficou muito doente e em menos de um mês ela morreu. Eu era bem pequena, mas lembro até hoje do choro da minha mãe e da tristeza nos olhos do meu pai. Com a perda da minha irmã eles tornaram-se mais religiosos e praticantes, com medo de estarem sendo castigados. Poucos meses depois, minha outra irmã também ficou doente e, temendo pelo pior, meus pais faziam suas oferendas e orações quase que durante todo o dia. Eu também tinha que agir e fazer certas coisas para não ser castigada. Eu tinha muito medo e fazia todos os rituais temendo pela minha vida.
Mas, infelizmente, minha outra irmã também morreu. Naquela tarde lembro de sentar ao lado da minha mãe e ao olhar para ela percebi que ali estava uma mulher seca de tanta dor. A tristeza era constante na minha casa. Não havia mais riso, abraço e paz. Tudo que se ouvia eram choro e silêncio.
Como minhas outras irmãs tinham morrido, todos começaram a falar que eu seria a próxima. Eu ficava tão aflita que por muitos anos não consegui dormir. Passei minha infância esperando pela doença que tiraria a minha vida. Ela não veio, mas uma grande opressão tomou conta de mim quando virei moça. Todas as noites eu sentia uma angústia, dores e ficava muitas vezes violenta. Nenhum médico sabia o que era e nenhum remédio foi capaz de parar com esses episódios. Quase que diariamente essa angústia tomava conta de mim e por muito tempo todos ficavam ao meu redor esperando minha morte.
Apesar de toda a religiosidade da minha família, os rituais de nada adiantavam muito menos as preces. Todos falavam que minha família estava marcada e comecei até a ter raiva da minha religião. Numa noite senti uma forte dor no corpo e novamente uma angústia me fazia gritar e chorar. Quando melhorei sentia tanta dor que mal conseguia andar.
Fui para o meu quarto e comecei a chorar. Comecei a ouvir uma voz que dizia: Eu sou seu Deus. No primeiro momento quase sai correndo, imaginando que seria mais uma crise. Mas, diferente das outras vezes, essa voz trazia paz ao meu coração. Eu então lembrei de uma amiga de infância que era cristã. Apesar de pequena, sua fé me impressionara tanto que lembrava das suas palavras: Jesus Cristo é meu Salvador.
E naquela noite então pedi a Deus que me salvasse. E ele recebeu meu pedido e nunca mais eu tive aqueles ataques. Mas a grande cura veio para o meu coração. Depois daquela noite, eu só queria servir a Deus. No começo, meus pais foram contra, dizendo que agora é que eu morreria mesmo. Mas aos poucos foram percebendo a grande mudança na minha vida, agora cheia de paz, e permitiram que eu dedicasse minha vida a servir a Deus.
Terminei recentemente dois anos de treinamento Bíblico e já ministrei durante 1 ano em um orfanato numa vila de Madhya Pradesh.
Meu desejo é continuar a servi-Lo, levando a paz que um dia eu encontrei.
Kanta

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