19 de ago de 2011

Escova progressiva: os perigos do formol

 
Atenção amantes do cabelo alisado: apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter proibido há cerca de dois anos o uso do formol como alisante capilar, ainda existe muita empresa lançando mão da substância tóxica e cancerígena em suas escovas progressivas ou inteligentes. “Para burlar a fiscalização, esses fabricantes apenas notificam seus cosméticos junto ao órgão de saúde, como se eles fossem um simples xampu, condicionador, sabonete ou hidratante”, conta a engenheira química Camila Cerdeira, da K.Pro Profissional, em São Paulo.
Segundo a farmacêutica Erica França Costa, especialista em regulação de vigilância sanitária, da Anvisa, qualquer produto que modifique a estrutura do fio precisa, obrigatoriamente, de um registro para ser comercializado. “O desrespeito a essa prática é considerado crime contra a saúde pública, cuja pena varia de dez a 15 anos de reclusão, além de multa”, afirma a farmacêutica.
A especialista lembra que o uso do formol na indústria cosmética só é permitido como conservante, ou seja, na concentração máxima de 0,2% a fim de evitar a proliferação de micro-organismos dentro da embalagem. “Só para ter uma ideia, para conseguir alisar os fios a concentração de formol precisa ser superior a 5%, podendo chegar a 20%”, observa Camila Cerdeira.
Não caia nessa
Para se certificar de que o produto alisante é mesmo livre de formol, procure na embalagem o número do registro. Ele deve vir precedido das siglas Reg. ANVISA ou MS ou ANVS, iniciar pelo dígito 2 e ser seguido por outros nove ou 13 números.
Com esse código em mãos, acesse o site da Anvisa (www.anvisa.gov.br) e clique no link ‘Consulta de Produtos’, que fica no canto superior direito da tela e vem acompanhado por uma lupa. Caso não tenha o registro em mãos, você também pode fazer a busca pelo nome do produto ou do fabricante.
“É importante verificar ainda se no rótulo não há termos como formaldeído, formalina, óxido metileno, metanal ou aldeído metílico, que são sinônimos do formol”, avisa a dermatologista Jackeline Mota, de São Paulo. Desconfie também dos profissionais que oferecem tratamentos alisantes sem que o produto traga no rótulo esta função. É bem provável que o formol esteja camuflado na composição.
Alternativas disponíveis no mercado
Substâncias comotioglicolato de amônia, etanolamina, guanidina e hidróxidos estão testadas e aprovadas pela Anvisa para modificar a estrutura do cabelo. “Mas é preciso que o profissional analise bem os fios, primeiro, para se certificar de que eles não vão arrebentar com a química e, segundo, para escolher qual é a mais indicada para cada tipo de cabelo”, avisa a engenheira química Camila Cerdeira.
Em tempo: um novo tipo de alisamento, conhecido como escova de carbocisteína, vem sendo apontado como o verdadeiro substituto do formol, mas de acordo com a Anvisa, a substância nada mais é do que um aminoácido que constitui a fibra capilar e, por isso, tem apenas ação condicionante e fortalecedora. O que na verdade é adicionado à fórmula para alisar é o glutaral, que é da mesma família do formol e só está liberado para uso como conservante e numa concentração máxima de 0,1%. “Apesar de não ser proibido e os estudos sobre a nocividade do glutaral ainda não terem sido concluídos, há indícios de que ele seja tão nocivo quanto o formol”, alerta a farmacêutica Erica França Costa.
Os perigos do formol
Não se engane com o cabelo bonito e aspecto de bem tratado que o formol deixa nos primeiros dias – se der sorte, em alguns meses. “A médio prazo, a substância destrói as cutículas e agride o couro cabeludo, provocando ressecamento, quebra, caspa e até queda”, diz a dermatologista Jackeline Mota. E se os efeitos nos fios são ruins, na saúde é ainda pior: “Em contato com a pele ou os olhos, o formol pode causar ardor, queimadura, visão embaçada e lacrimejamento; se for inalado, pode levar a dor de garganta, irritação no nariz, tosse, diminuição da frequência respiratória, pneumonia e até câncer. Em alguns casos, as altas concentrações são fatais”, alerta a farmacêutica da Anvisa.

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